O Pix já faz parte da rotina diária dos brasileiros. Em 2025, o sistema movimentou R$ 35,4 trilhões e registrou quase 80 bilhões de transações, segundo dados do Banco Central. A escala alcançada pelo Pix amplia a responsabilidade sobre a infraestrutura que sustenta essas operações e exige mecanismos cada vez mais robustos de segurança, monitoramento e continuidade operacional.
Esse cenário acompanha o movimento recente do Banco Central para reforçar a governança e a segurança operacional do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), infraestrutura responsável pela liquidação das transações entre instituições participantes. Em março de 2026, o BC implementou novas funcionalidades para o gerenciamento da Conta de Pagamentos Instantâneos (Conta PI), ampliando os mecanismos de controle sobre as operações.
Entre as atualizações estão a definição de um limite mínimo de saldo operacional, a possibilidade de ativar o bloqueio automático da Conta PI e recursos de auditoria e consulta de lançamentos. Na prática, caso uma ordem de pagamento leve o saldo abaixo do limite definido e o mecanismo esteja habilitado, o acesso à liquidação de novas ordens pode ser temporariamente interrompido até o desbloqueio manual. O ambiente também passou a contar com um Log de Auditoria das configurações operacionais, ampliando a rastreabilidade das ações realizadas.
Para Ticiana Amorim, fundadora e CEO da Aarin, techfin especializada em Embedded Finance com soluções simples pensadas para facilitar cobranças e recebimentos dos seus clientes, a governança deixou de ser um requisito burocrático para se tornar parte fundamental da arquitetura tecnológica. “Quanto mais a infraestrutura financeira se torna conectada e distribuída, maior é a necessidade de garantir que essas conexões sejam seguras e rastreáveis. Uma API financeira conecta operações críticas e lida diretamente com liquidação de recursos. Por isso, disponibilidade, controle de acesso e resiliência precisam estar incorporados ao código desde o primeiro dia”, afirma.
O avanço regulatório também altera a dinâmica de desenvolvimento para fintechs e empresas de tecnologia. A agilidade para lançar novas soluções continua sendo importante, mas passa a dividir espaço com a capacidade de garantir que essas ferramentas operem em escala, com segurança e continuidade.
Conforme as APIs ampliam as conexões entre diferentes sistemas, cresce também a necessidade de monitorar essas integrações. Em um ecossistema no qual bilhões de pagamentos dependem de infraestrutura digital, segurança, estabilidade e conformidade já não são mais atributos acessórios e sim parte da própria sustentabilidade das operações financeiras.

