Nilton Molina debate os desafios de um Brasil que envelhece antes de ficar rico

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“Viver mais é uma conquista da sociedade, mas também exige planejamento.” A afirmação de Nilton Molina, presidente do Instituto de Longevidade MAG, resume um dos principais desafios colocados pelo envelhecimento da população brasileira, o de fazer com que o aumento da expectativa de vida seja acompanhado por mais segurança financeira, autonomia e qualidade de vida. O tema esteve no centro do XII Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada, realizado no dia 16, em São Paulo, pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi).

 

Ao participar do painel “Como proteger uma sociedade que envelhece e vive por mais tempo?”, Molina chamou atenção para a necessidade de ampliar a consciência sobre proteção financeira ao longo de toda a vida. Para ele, a longevidade não pode ser discutida apenas sob a perspectiva de viver mais, mas também a partir das condições necessárias para sustentar diferentes fases da vida com segurança.

 

“Precisamos ampliar a consciência sobre a importância da proteção financeira ao longo de toda a vida, combinando previdência, seguros, educação financeira e políticas públicas”, afirmou. Na avaliação de Molina, o desafio está em construir uma abordagem mais ampla para a longevidade, capaz de acompanhar as transformações demográficas e sociais e, ao mesmo tempo, reduzir vulnerabilidades financeiras de pessoas e famílias.

 

Os números apresentados no fórum ajudam a dimensionar esse cenário. De acordo com a Pesquisa Fenaprevi Datafolha 2026, entre os produtos pesquisados, a previdência privada é mencionada por 9% dos participantes e o seguro de vida, por 18%.

 

O levantamento também mostra uma conexão direta entre as principais preocupações dos brasileiros e as situações que podem ser protegidas por seguros de pessoas. Segundo a pesquisa, 60% dos principais medos apontados pelos entrevistados podem ser atendidos por esse tipo de cobertura. Entre eles estão deixar a família desamparada em caso de falecimento (24%), não conseguir pagar despesas médicas (19%), não conseguir se sustentar em caso de problema de saúde (17%) e ficar sem moradia (16%).

 

É nesse contexto que Molina defende uma discussão mais abrangente sobre longevidade. “O desafio é fazer com que o aumento da longevidade venha acompanhado de mais segurança, autonomia e qualidade de vida para as pessoas e suas famílias”, pontuou.

 

O debate também trouxe à tona mudanças nas relações de trabalho, o crescimento do déficit previdenciário e a necessidade de criar alternativas capazes de ampliar a proteção financeira da população, ao mesmo tempo em que contribuam para o desenvolvimento econômico sustentável.

 

Um mercado diante de novas demandas

Além das discussões sobre envelhecimento e proteção social, o fórum apresentou um panorama do mercado de seguros de pessoas e previdência privada, que também evidencia o espaço para ampliar a cobertura no país.

Segundo dados divulgados pela Fenaprevi, os prêmios de seguros de pessoas alcançaram R$ 78,8 bilhões em 2025, crescimento de 8,3% em relação ao ano anterior. No primeiro semestre de 2026, os prêmios somaram R$ 19,9 bilhões, alta de 10,2% na comparação com o mesmo período de 2025.

Na previdência aberta, os ativos chegaram a R$ 1,9 trilhão, equivalente a cerca de 14% do Produto Interno Bruto (PIB), considerando o PIB acumulado em 12 meses até junho de 2026. O sistema reúne 11,2 milhões de participantes e 13,7 milhões de planos comercializados.

Os números revelam, de um lado, a dimensão econômica já alcançada pelo setor e, de outro, a parcela da população que ainda não conta com instrumentos de proteção financeira. Para Molina, esse cenário reforça a importância de discutir soluções que acompanhem as diferentes etapas da vida e as transformações provocadas pelo envelhecimento populacional.

 

Experiência dedicada à longevidade

Com mais de seis décadas de atuação no mercado segurador, Molina construiu sua trajetória nas áreas de seguros, previdência privada, capitalização e gestão empresarial. Ao longo da carreira, participou da criação de empresas e entidades do setor e esteve à frente de iniciativas relacionadas à previdência, longevidade e proteção financeira.

Atualmente, preside o Instituto de Longevidade MAG e o Fundo de Pensão MAG, além de integrar conselhos e entidades representativas do mercado. O XII Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada reuniu ainda Edson Franco, presidente da Fenaprevi e CEO da Zurich Brasil; Eduardo Giannetti, economista e escritor; Ana Paula Vescovi, economista; Dyogo Oliveira, diretor-presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg); e Devanir Silva, diretor-presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), entre outros representantes do setor.

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