ANS divulga dados econômico-financeiros do 1° trimestre de 2026

Google+ Pinterest LinkedIn Tumblr +
Agência também atualiza o Atlas Econômico-Financeiro com dados sobre concorrência, participação de mercado e oferta de planos
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulga, nesta terça-feira, 9/06/2026, os dados econômico-financeiros dos planos de saúde referentes ao 1° trimestre de 2026. De forma geral, o setor teve resultado positivo, em nível semelhante com o mesmo período de 2025. As informações estão disponíveis no Painel Econômico-Financeiro da Saúde Suplementar, que permite a consulta por trimestre desde 2018.

“O setor segue apresentando resultados positivos, com estabilidade em relação ao ano anterior e a maior parte das operadoras operando com lucro. Com a atualização do Atlas, também avançamos na transparência sobre o funcionamento do mercado e no acompanhamento da concorrência do setor”, destacou o diretor de Normas e Habilitação das Operadoras, Jorge Aquino.

Receitas e lucro líquido do setor
De acordo com dados enviados à ANS pelas operadoras de planos de saúde e administradoras de benefícios, o setor registrou receitas totais de R$ 101 bilhões em receitas no 1º trimestre de 2026. No mesmo período, o lucro líquido acumulado foi de R$ 6,3 bilhões, o que corresponde a cerca de 6,2% da receita total.
Esse resultado é um pouco menor do que o registrado no 1º trimestre de 2025, quando o lucro chegou a R$ 7,1 bilhões, o maior valor da série histórica em termos nominais.
Ao todo, 77,7% das operadoras (604 entidades) encerraram o trimestre com resultado líquido positivo, mesmo patamar do 1° trimestre do ano anterior.
Desempenho das operadoras médico-hospitalares
As operadoras médico-hospitalares, que formam o principal segmento do setor, alcançaram, juntas, lucro líquido de R$ 6 bilhões no 1º trimestre de 2026.
 
O resultado operacional agregado, que considera as receitas e despesas diretamente ligadas à operação dos planos, foi positivo em R$ 3,4 bilhões.
 
A sinistralidade (percentual da receita usado para cobrir despesas assistenciais) chegou a 81%, ficando 1,8 ponto percentual acima do registrado no 1º trimestre de 2025. Esse resultado foi influenciado por fatores atípicos para o período, como:
 
  • o reconhecimento de provisão técnica voluntária por uma das maiores operadoras do setor; e
  • o aporte de recursos pelo mantenedor de uma operadora de autogestão.
Na prática, isso significa que cerca de 81% do valor das mensalidades foi destinado ao pagamento de atendimentos, exames e tratamentos. Mesmo com o aumento, esse ainda é o segundo menor nível registrado desde 2020.
Ao analisar por porte, destaca-se o aumento do resultado operacional das operadoras de pequeno porte, que mais que triplicou em relação ao mesmo período do ano anterior.
Por fim, em um cenário de juros elevados, as aplicações financeiras das operadoras médico-hospitalares totalizaram R$ 140,5 bilhões ao fim de março de 2026, permanecendo como uma fonte relevante de receita adicional, que contribui fortemente com o lucro final. O resultado financeiro do setor no trimestre foi de R$ 3,6 bilhões, repetindo o maior da série histórica em termos nominais registrado no ano anterior.
 
Atlas Econômico-Financeiro da Saúde Suplementar
A ANS também atualizou o Atlas Econômico-Financeiro da Saúde Suplementar, publicação que ajuda a entender como está a concorrência no setor. O painel reúne informações como: índices de concentração de mercado, operadoras com as maiores participações e a quantidade de planos disponíveis. Os dados são apresentados para 148 mercados relevantes, considerando planos individuais/familiares, coletivos por adesão e coletivos empresariais.
 
A principal novidade desta edição é a inclusão de dados sobre grupos econômicos do setor. Com isso, o usuário pode avaliar melhor como a atuação desses grupos influencia a concorrência. Em todos os produtos analisados, individual/familiar, coletivo por adesão e coletivo empresarial, observa-se um aumento significativo dos indicadores de concentração de mercado quando as operadoras de um mesmo grupo econômico são consideradas como uma única empresa. Isso é diferente da análise tradicional, que avalia cada operadora individualmente.
 
Conceitos importantes
  • Resultado operacional: Diferença entre receitas e despesas da operação de saúde (receitas das mensalidades e outras receitas operacionais deduzidas as despesas assistenciais, administrativas, de comercialização e outras despesas operacionais).
  • Resultado financeiro: Diferença entre receitas e despesas financeiras.
  • Resultado líquido: Soma dos resultados operacional, financeiro e patrimonial, acrescidos do efeito de impostos e participações.
  • Sinistralidade: Percentual das receitas assistenciais utilizadas para o pagamento de despesas assistenciais.
  • Grupo econômico: Conjunto de operadoras no qual um mesmo sócio ou grupo de sócios detém o controle econômico ou participa em regime de controle econômico conjunto; ou conjunto de operadoras que possuam (i) personalidade própria das sociedades participantes; e (ii) conexão entre as sociedades participantes (conexão esta que pode ser interpretada como existência de uma orientação central concorrencial).
Share.

Leave A Reply