Eventos climáticos extremos ampliam a necessidade de proteger quem sustenta o agronegócio

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Eventos climáticos extremos vêm transformando a forma como o produtor rural administra os riscos da atividade. Diante dos prejuízos que secas prolongadas, enchentes e ondas de calor podem ocasionar, a proteção da lavoura passou a compor o planejamento de boa parte do setor. Agora, com os impactos ambientais do El Niño, essa gestão de riscos também coloca em evidência uma segunda frente: a proteção financeira de quem está à frente da operação.

Isso porque um evento climático não afeta apenas a produtividade da lavoura. Uma quebra de safra ou uma redução na produção pode pressionar o fluxo de caixa, comprometer receitas esperadas e dificultar o cumprimento de compromissos financeiros. Em uma situação como essa, caso o produtor ainda enfrente uma doença grave, um acidente ou uma invalidez que o impeça de trabalhar, a capacidade de geração de renda da família e de condução do negócio pode ser afetada justamente em um momento de maior pressão financeira. É nesse ponto que a proteção da pessoa física passa a complementar a proteção da atividade rural.

Embora o seguro rural continue sendo uma ferramenta essencial para reduzir perdas decorrentes de eventos climáticos previstos em contrato, sua finalidade é diferente da do seguro de vida. Enquanto o primeiro está voltado à proteção da produção e de determinados ativos da atividade agropecuária, o segundo pode oferecer recursos financeiros ao próprio segurado, em coberturas previstas na apólice, como invalidez e doenças graves, e aos beneficiários em caso de falecimento.

A diferença é relevante porque permite criar uma fonte de liquidez independente dos ativos e da própria produção rural.

A discussão ganha ainda mais relevância porque, no agronegócio, patrimônio e liquidez nem sempre caminham juntos. Levantamento da NEOT Tecnologia e Informação mostra que houve 517 pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro no primeiro trimestre de 2026, alta de 33% em relação ao mesmo período do ano passado. “A riqueza do setor está muito concentrada em ativos como terras, maquinários e estruturas produtivas, que possuem alto valor econômico. No entanto, esses bens não oferecem liquidez imediata em situações de emergência”, afirma Anna Angotti, gerente de seguro de vida e viagem da Omint Seguros.

Nesse contexto, o seguro de vida individual pode funcionar como uma reserva financeira adicional para situações que exigem recursos imediatos, sem necessariamente exigir a venda ou a liquidação de ativos da família ou da propriedade. “Assim que o seguro é contratado e a primeira apólice é paga, o valor total do capital segurado estará disponível para o beneficiário caso haja algum acontecimento para indenização e ele poderá utilizar da maneira que lhe for mais conveniente”, explica Angotti.

A importância dessa visão integrada tem ainda mais peso diante da representação econômica do agronegócio brasileiro. Com a perspectiva de avanço da participação do setor na composição do Produto Interno Bruto (PIB), segundo economistas, o desempenho do campo tem impacto crescente sobre a economia nacional.

Assim, diante de um cenário em que eventos climáticos podem pressionar simultaneamente produtividade, receitas e fluxo de caixa, a gestão de riscos do produtor rural passa a exigir uma visão que considere diferentes camadas de proteção. O seguro rural atua sobre o risco da atividade, enquanto o seguro de vida pode contribuir para preservar a capacidade financeira da pessoa e de sua família diante de acontecimentos que comprometam sua renda ou continuidade à frente do negócio. A combinação das duas frentes ajuda a reduzir a dependência da liquidação de patrimônio em momentos de vulnerabilidade e dá maior previsibilidade à continuidade da operação rural.

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