Explosão das indenizações revela baixa maturidade digital das empresas e reforça necessidade de gestão integrada de riscos para reduzir perdas
O mercado brasileiro de seguros cibernéticos vive um momento de forte expansão, mas o crescimento acelerado das indenizações pagas pelas seguradoras revela que as empresas ainda enfrentam dificuldades para controlar seus riscos digitais. Dados divulgados pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que, entre janeiro e abril de 2026, a arrecadação do segmento cresceu 71,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. No mesmo intervalo, porém, o volume de indenizações disparou 253,1%,um crescimento mais de 3,5 vezes superior ao das receitas.
Para especialistas, o cenário demonstra que o aumento da contratação de seguros não está sendo acompanhado pela evolução da maturidade em cibersegurança e governança digital das organizações.
De acordo com Nycholas Szucko, líder do Laboratório de Cibersegurança do Markets Innovation & Technology Institute (MiTi), a Pesquisa Setorial 2025 em Cibersegurança, Governança de Dados e Inteligência Artificial confirma esse diagnóstico. O levantamento apontou que a maturidade digital média das empresas brasileiras foi de apenas 5 pontos em uma escala de 0 a 10, enquanto 42% das organizações ainda não possuíam um plano estruturado de resposta a incidentes cibernéticos.
“Esses números mostram que muitas empresas ainda operam com baixa capacidade de prevenção e resposta. O problema é que boa parte dos executivos, principalmente em pequenas e médias empresas, mas também em grandes organizações, não possui formação técnica suficiente para compreender, medir e priorizar investimentos em segurança digital”, afirma Szucko.
Segundo ele, um dos principais desafios é abandonar a visão fragmentada da segurança da informação.
“Os riscos digitais não existem de forma isolada. Eles apresentam elevada interdependência, formando uma rede de relações entre cibersegurança, governança de dados, inteligência artificial, privacidade, compliance e riscos de terceiros. Quando um desses elementos falha, os demais também tendem a ser impactados”, explica.
Essa visão é compartilhada por Rafael Sasso, CEO e cofundador da Verta, plataforma de governança de riscos tecnológicos. Para ele, o mercado precisa ampliar a forma como enxerga o tema e evoluir para uma abordagem de gestão integrada de riscos digitais, pois esses elementos são Inter correlacionados.
“Aquilo que tradicionalmente chamamos de cibersegurança precisa evoluir para uma abordagem de gestão integrada de riscos digitais. Cyber, Inteligência Artificial, Governança de Dados, privacidade e riscos de terceiros são temas que precisam ser avaliados em conjunto para que a empresa consiga reduzir sua exposição e tomar decisões mais eficientes”, afirma.
Segundo Sasso, esse conceito orientou o desenvolvimento da plataforma Verta, que permite às organizações diagnosticar seu nível de maturidade, identificar vulnerabilidades, estimar o impacto financeiro dos riscos e comparar sua posição em relação ao mercado e ao próprio setor de atuação.
“A partir desse diagnóstico, a empresa consegue entender objetivamente seu grau de exposição, definir prioridades de investimento e até mesmo avaliar sua elegibilidade para contratação de seguro cibernético. O sistema também aponta quais melhorias precisam ser implementadas para reduzir riscos e fortalecer a proteção financeira, conectando diagnóstico, gestão e seguro em uma jornada totalmente digital. Não investir em maturidade e só fazer o seguro é contar com a sorte. É como fazer um seguro de carro e sair para dirigir cego!”, conclui.

