Pix e pagamentos digitais chegam ao setor de seguros e prometem reduzir cancelamentos de apólices por falta de pagamento

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O mercado de seguros brasileiro segue em expansão, mas enfrenta um desafio silencioso: a falha no pagamento do prêmio mensal que leva ao cancelamento da apólice, muitas vezes sem que o segurado perceba que perdeu a cobertura. À medida que Pix, cartão e pagamentos por aproximação substituem o boleto no dia a dia do consumidor, o setor começa a adotar esses mesmos meios para tornar o pagamento recorrente mais simples e seguro. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), os pagamentos por aproximação responderam por 73,6% de todas as compras com cartão no Brasil em 2025, ante 5,4% em dezembro de 2020.

O crescimento do setor reforça a importância de garantir a continuidade dos contratos. Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostram que os seguros de danos e de pessoas acumularam receitas de R$ 202,28 bilhões nos onze primeiros meses de 2025, crescimento nominal de 7,28% em relação ao mesmo período de 2024. O seguro de vida se destacou com alta de 12,35% em termos nominais no período. Nesse cenário de expansão, manter o segurado adimplente passou a ser tão estratégico quanto conquistá-lo: a inadimplência no pagamento do prêmio pode suspender a cobertura e, persistindo por 30 dias, levar à resolução do contrato, deixando o cliente desprotegido exatamente no momento em que mais precisaria do seguro.

A digitalização dos meios de pagamento oferece uma resposta direta a esse problema. O Pix, que respondeu por 54,7% de todas as transações de pagamento no Brasil no segundo semestre de 2025, segundo o Banco Central, já está presente nas corretoras e seguradoras como alternativa ao boleto, com confirmação instantânea e disponível 24 horas por dia. Para os ramos massificados, como seguro de vida, acidentes pessoais e assistências, a agilidade no pagamento pode ser determinante para o fechamento e a manutenção da apólice, especialmente entre públicos que não possuem cartão de crédito ou têm dificuldades com o boleto bancário.

“No seguro, a proteção só existe enquanto o pagamento está em dia. Qualquer atrito no momento de pagar o prêmio coloca a cobertura em risco”, afirma Rodrigo Graça de Melo, Vice-presidente de produtos e negócios da Multipagamentos. “Quando o segurado consegue quitar ou renovar o prêmio em segundos, pelo celular, sem depender de boleto ou agência bancária, a continuidade da apólice deixa de ser um problema operacional e passa a ser automática.”
A próxima fronteira é a recorrência automatizada. O Pix Automático, lançado pelo Banco Central em junho de 2025, permite o débito automático de valores periódicos com uma única autorização do pagador, um modelo especialmente adequado ao seguro, onde a cobrança mensal do prêmio é por natureza recorrente. Com o recurso, a seguradora agenda a cobrança e o valor é debitado na data de vencimento, sem ação manual do segurado, eliminando o risco de esquecimento que hoje gera boa parte dos cancelamentos por inadimplência. Para os corretores, a facilidade no pagamento também se torna argumento comercial: a experiência de contratação e manutenção sem atrito favorece a fidelização.
“O Pix Automático é particularmente relevante para o setor de seguros porque resolve exatamente o ponto mais frágil da cadeia: a recorrência do pagamento”, explica o executivo. “Com uma única autorização, o prêmio é debitado todo mês na data certa, sem que o segurado precise lembrar, sem boleto para pagar e sem risco de perder a cobertura por um esquecimento. É uma mudança simples que tem impacto direto na sinistralidade e na previsibilidade de receita das seguradoras.”

A adoção de meios digitais no setor também abre espaço para novos perfis de segurados. Com o Pix, pessoas sem cartão de crédito passam a ter acesso a produtos que antes dependiam exclusivamente do parcelamento no cartão ou do boleto bancário. A combinação de contratação digital, pagamento instantâneo e recorrência automatizada começa a moldar um novo padrão para o mercado: o seguro como serviço por assinatura, com a mesma fluidez das plataformas de streaming ou das academias digitais.

“O setor de seguros caminha para o mesmo modelo que já transformou serviços como educação, saúde e telecomunicações: pagar precisa ser invisível para que a proteção seja percebida”, conclui Rodrigo Graça de Melo. “Seguradoras e corretoras que simplificam o pagamento ganham em retenção, reduzem cancelamentos e ampliam o acesso a novos públicos. A digitalização dos meios de pagamento não é uma tendência do futuro, já é uma vantagem competitiva no presente.”

 

 

 

 

 

 

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