Neste Dia Internacional para a Proteção da Educação contra Ataques, o debate geralmente se concentra nos riscos físicos enfrentados por escolas em regiões de conflito. No entanto, em 2025, o verdadeiro campo de batalha se deslocou para o ambiente digital. A sala de aula moderna hoje depende de plataformas como Microsoft Teams, Google Classroom e Zoom. Essas ferramentas impulsionaram a inovação e a colaboração, mas também se tornaram alvos preferenciais de ciberataques — agora potencializados por tecnologias de Inteligência Artificial (IA).
Educação é o setor mais atacado do mundo
Segundo a Check Point Research (CPR), equipe de pesquisa da Check Point Software, pioneira e líder global em soluções de cibersegurança, o setor da educação se tornou o mais atacado no cenário mundial. Somente em 2025, escolas e universidades sofreram, em média, 4.356 ataques semanais por organização, um aumento de 41% em relação ao ano anterior. Essa tendência é ainda mais acentuada em regiões como Ásia-Pacífico, onde os ataques semanais ultrapassam 7.800, e nos Estados Unidos, que registraram crescimento de 67%. No Brasil, foram registrados mais de 1800 ataques por semana.
Essa vulnerabilidade se deve à natureza crítica das informações armazenadas pelas instituições, desde dados pessoais de alunos e professores até informações financeiras e de pesquisa. Muitas escolas ainda operam com infraestrutura obsoleta, sem recursos ou conhecimento técnico suficientes para atualizar suas medidas de defesa. Além disso, estão conectadas a múltiplos atores externos — como pais, prestadores de serviços e órgãos educacionais — ampliando exponencialmente os pontos de entrada para os cibercriminosos.
Impacto vai além dos sistemas de TI
As consequências desses ataques vão muito além das falhas técnicas. Muitas vezes resultam no fechamento de escolas, interrupção de exames e semanas de inatividade. Em 2023, os impactos financeiros de ataques de ransomware superaram expectativas: o valor médio de resgate chegou a US$ 6,6 milhões no ensino básico e a US$ 4,4 milhões no ensino superior, segundo a Sophos. Apesar dos pagamentos, apenas 30% das instituições afetadas conseguiram restaurar integralmente seus sistemas na primeira semana. Essas situações prejudicam a reputação das instituições, comprometem a qualidade do ensino e impactam diretamente milhares de estudantes.
Nos últimos anos, tornou-se comum encontrar à venda na dark web dados acadêmicos — desde certificados falsificados até históricos escolares completos. Em casos extremos, como o do Lincoln College, em Illinois (EUA), as consequências foram irreversíveis: a instituição, com 157 anos de história, foi obrigada a encerrar suas atividades após um ataque de ransomware.
A Inteligência Artificial acelera o crime digital
A entrada da IA nesse cenário torna tudo ainda mais grave. Do lado dos atacantes, ela vem sendo usada para criar campanhas de phishing com deepfakes, roubo automatizado de credenciais e malware capaz de identificar e explorar vulnerabilidades em questão de minutos. Somente em julho de 2025, a Check Point identificou mais de 18 mil novos domínios relacionados à educação — sendo que 1 em cada 57 tinha origem maliciosa. Muitos desses sites são gerados por IA para imitar portais escolares, plataformas de pagamento ou páginas de login.
Por outro lado, a IA também fortalece as defesas. Hoje já é possível detectar comportamentos suspeitos em milhares de contas, identificar malwares de dia zero antes mesmo da criação de assinaturas e bloquear automaticamente ataques como phishing e ransomware em tempo real. No entanto, a evolução tecnológica precisa vir acompanhada de educação em cibersegurança. Sem treinamento adequado de alunos, professores e pais, até os sistemas mais avançados podem falhar.
Como proteger a educação na era da IA
Para proteger o “pátio digital”, as instituições precisam adotar uma estratégia baseada em prevenção, apoiada por ferramentas avançadas. A Check Point recomenda:
- Reforçar a autenticação com MFA e prevenir abusos com monitoramento de “MFA fatigue”;
- Implementar segmentação de rede para evitar movimentação lateral dos atacantes;
- Promover treinamentos de phishing para estudantes, professores e colaboradores;
- Atualizar e corrigir regularmente os sistemas, em especial as plataformas de colaboração;
- Integrar conteúdos de cibersegurança no currículo escolar, incluindo literacia em IA e identificação de links suspeitos.
Essas medidas não são apenas técnicas, mas sim pilares essenciais para a continuidade do ensino.
Para os especialistas, proteger o setor da educação exige uma abordagem preventiva, com defesas baseadas em IA, perímetros digitais reforçados e conscientização em todos os níveis.

